Dra. Veruska Barijan — Ginecologista
Reposição hormonal feminina: quando é indicada e quais são os benefícios?

Reposição hormonal feminina: quando é indicada e quais são os benefícios?

setembro 22, 2026

A reposição hormonal feminina, também chamada de terapia hormonal da menopausa, pode ser indicada para controlar sintomas relacionados às mudanças hormonais do climatério e da menopausa, principalmente ondas de calor, sudorese noturna e sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal e dor durante as relações sexuais. Além de ser considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas […]

A reposição hormonal feminina, também chamada de terapia hormonal da menopausa, pode ser indicada para controlar sintomas relacionados às mudanças hormonais do climatério e da menopausa, principalmente ondas de calor, sudorese noturna e sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal e dor durante as relações sexuais.

Além de ser considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa, a terapia hormonal sistêmica contribui para a preservação da massa óssea e redução do risco de fraturas enquanto utilizada. 

Não existe uma única forma de fazer reposição hormonal, e o tratamento não é indicado da mesma maneira para todas as mulheres. 

Podemos utilizar diferentes hormônios, doses e vias de administração. A escolha entre comprimidos, gel, adesivos ou tratamentos vaginais, por exemplo, depende dos sintomas, da presença ou não do útero, da idade, do tempo desde a menopausa, do histórico de saúde e dos fatores de risco de cada paciente.

Por isso, a decisão deve partir de uma avaliação individualizada, que permita entender se existe indicação para terapia hormonal, qual modalidade oferece maior benefício e quais cuidados são necessários para realizar o tratamento com segurança.

O que é a reposição hormonal feminina?

A chamada terapia hormonal da menopausa utiliza hormônios para tratar manifestações relacionadas principalmente à redução da produção ovariana de estrogênio durante o climatério e após a menopausa.

O estrogênio na forma de estradiol é o principal hormônio utilizado. Entretanto, para a maioria das mulheres que possuem útero, o tratamento sistêmico com estrogênio precisa ser acompanhado de progesterona ou outro progestagênio, responsável por proteger o endométrio.

Isso acontece porque a exposição prolongada ao estrogênio sistêmico, sem a oposição de um progestagênio, pode estimular o endométrio. Se esse estímulo acontecer continuamente, pode haver crescimento excessivo do endométrio, chamado hiperplasia endometrial, e, em alguns casos, esse processo pode aumentar o risco de alterações pré-cancerosas e câncer de endométrio.

Por isso, nas mulheres que têm útero e utilizam estrogênio sistêmico, é necessário associar um progestagênio, como a progesterona micronizada ou até o DIU Mirena. O progestagênio faz uma espécie de “proteção” do endométrio, impedindo que ele fique continuamente estimulado pelo estrogênio.

Já as mulheres que não possuem útero e não têm histórico de endometriose, podem usar apenas o estrogênio.

Portanto, falar simplesmente em “fazer reposição hormonal” é uma simplificação. A composição do tratamento precisa ser definida individualmente, assim como sua dose, via de administração e duração.

Quando indicamos a reposição hormonal feminina?

A terapia hormonal sistêmica pode ser considerada, principalmente, quando as manifestações da menopausa afetam o bem-estar e a qualidade de vida da mulher.

Entre suas principais indicações estão o tratamento de ondas de calor e sudorese noturna e, em mulheres selecionadas, a prevenção da perda óssea relacionada à menopausa.

Alterações do sono associadas aos sintomas vasomotores também podem melhorar quando esses sintomas são adequadamente controlados.

Já para mulheres que apresentam predominantemente sintomas da síndrome geniturinária da menopausa, como ressecamento vaginal, ardência, desconforto e dor durante as relações sexuais, podemos avaliar tratamentos locais, sem necessariamente recorrer à terapia sistêmica.

A terapia hormonal também assume importância particular em mulheres com insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce, situações em que a redução hormonal ocorre antes da idade habitual e exige uma avaliação específica.

Como é feita a reposição hormonal?

Essa é uma dúvida muito comum: afinal, a reposição hormonal é feita com comprimido, gel, adesivo, creme vaginal ou injeção?

Na prática, existem diferentes formas de administrar os hormônios, e elas não são necessariamente equivalentes. A escolha da via depende do objetivo do tratamento e do perfil clínico da paciente.

Reposição hormonal por via oral

O estrogênio pode ser administrado em comprimidos. Nesse caso, depois de ser absorvido pelo sistema digestivo, o hormônio passa pelo fígado antes de alcançar a circulação sistêmica.

Essa chamada primeira passagem hepática produz efeitos metabólicos diferentes daqueles observados com a administração transdérmica e é um dos fatores considerados na escolha da via.

A progesterona ou outros progestagênios também podem ser administrados por via oral, dependendo do esquema escolhido.

Reposição transdérmica: gel, adesivo ou spray

O estradiol (tipo de estrogênio) também pode ser administrado através da pele, principalmente na forma de gel, adesivo ou spray.

Nesse caso, o hormônio é absorvido pela pele e alcança a circulação sem a primeira passagem pelo fígado. Essa diferença é clinicamente relevante, e dados observacionais indicam que a via transdérmica apresenta menor risco de tromboembolismo venoso do que a via oral.

Por isso, a via transdérmica pode ser particularmente interessante para determinadas pacientes, embora a decisão dependa do conjunto de características clínicas.

Estrogênio vaginal: creme, comprimido ou anel

Quando as manifestações estão concentradas principalmente na região genital e urinária, podemos utilizar estrogênio vaginal nas formas de promestrieno, estriol ou estradiol.

Existem diferentes apresentações, como cremes, comprimidos ou óvulos vaginais.

O objetivo é agir predominantemente nos tecidos da vulva, vagina e trato urinário inferior, com exposição sistêmica muito menor do que a observada na terapia hormonal sistêmica.

Essa modalidade pode ser especialmente útil para ressecamento vaginal, ardência, desconforto e dor durante a relação sexual.

E as reposições hormonais injetáveis?

Embora existam hormônios administrados por via injetável em diferentes contextos médicos, as injeções não estão entre as vias utilizadas na terapia hormonal convencional da menopausa.

Para o tratamento dos sintomas menopausais, as principais estratégias são as vias oral e transdérmica e, quando o objetivo é tratar sintomas geniturinários, a via vaginal.

Também é importante diferenciar os medicamentos industrializados e aprovados para essa finalidade de formulações manipuladas ou implantes hormonais utilizados em protocolos individualizados. A composição, dose, evidências de eficácia e dados de segurança precisam ser considerados antes da escolha de qualquer tratamento.

Quais são os benefícios da reposição hormonal?

Os benefícios dependem do tipo de tratamento, da idade da paciente e do motivo pelo qual a terapia foi indicada.

Controle das ondas de calor e da sudorese noturna

A terapia hormonal sistêmica é considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa, incluindo fogachos e sudorese noturna.

Ao controlar essas manifestações, também pode haver melhora do sono, da disposição e da qualidade de vida quando esses problemas estão relacionados aos sintomas vasomotores.

Melhora do ressecamento e desconforto vaginal

A redução do estrogênio pode provocar afinamento, perda de elasticidade e diminuição da lubrificação do tecido vaginal.

O tratamento estrogênico ajuda no controle do ressecamento vaginal, ardência, irritação e dor durante as relações.

Quando esses sintomas aparecem isoladamente, a terapia vaginal local permite uma atuação direcionada, sem que necessariamente seja preciso utilizar hormônios sistemicamente.

Proteção da massa óssea

A queda dos níveis de estrogênio acelera a perda de massa óssea após a menopausa. A terapia hormonal sistêmica ajuda a prevenir essa perda e reduz o risco de fraturas enquanto utilizada.

Isso não significa, entretanto, que toda mulher com osteopenia ou osteoporose deva iniciar reposição hormonal. Idade, risco individual de fraturas e outras possibilidades terapêuticas precisam ser considerados.

A reposição hormonal melhora a libido?

Pode contribuir em determinadas situações, mas não deve ser considerada um tratamento universal para baixa libido.

Quando o ressecamento vaginal, a dor durante a relação, os fogachos ou as alterações do sono interferem na sexualidade, o controle desses problemas pode favorecer indiretamente o desejo e a experiência sexual.

Porém, a libido é influenciada por fatores hormonais, emocionais, relacionais, medicamentosos e clínicos. Uma queixa persistente de baixa libido e disfunções sexuais femininas merece uma investigação própria.

Reposição hormonal engorda?

A terapia hormonal não deve ser utilizada para emagrecer, mas também não deve ser considerada automaticamente responsável pelo ganho de peso que ocorre nessa fase da vida.

Durante o climatério e a menopausa, mudanças na composição corporal e na distribuição da gordura são frequentes. Envelhecimento, redução da massa muscular, alterações hormonais, alimentação, nível de atividade física, sono e outros fatores participam desse processo.

Portanto, ganho de peso e alterações da composição corporal devem ser avaliados de maneira mais ampla, e não atribuídos isoladamente à terapia hormonal.

Preciso fazer exames hormonais antes de iniciar a reposição?

Nem sempre. Em mulheres com mais de 45 anos que apresentam quadro clínico característico da transição menopausal, a avaliação costuma ser baseada principalmente na história menstrual, nos sintomas e no histórico de saúde.

Durante a perimenopausa, níveis de FSH e estradiol podem oscilar significativamente. Por isso, uma dosagem hormonal isolada nem sempre representa adequadamente o funcionamento ovariano e não deve ser utilizada, sozinha, para decidir se uma mulher precisa de terapia hormonal.

Isso não significa que nenhum exame seja necessário antes do tratamento. Solicitamos exames de acordo com a idade, histórico clínico, fatores de risco, rastreamentos necessários e condições que precisam ser investigadas.

Reposição hormonal é segura? Entenda as controvérsias

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Essa é uma das questões mais importantes quando falamos em terapia hormonal da menopausa.

Durante muitos anos, a reposição hormonal foi cercada por receio, principalmente em relação ao câncer de mama, trombose e doenças cardiovasculares.

Com novas análises dos dados e o avanço das pesquisas, ficou mais claro que os riscos da terapia hormonal não podem ser interpretados da mesma maneira para todas as mulheres. 

Idade da menopausa, tipo de hormônio, associação ou não com progestagênio, dose, via de administração, duração do tratamento e histórico individual interferem na relação entre benefícios e riscos.

De maneira geral, para mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou que estejam nos primeiros 10 anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável quando não existem contraindicações.

Isso não significa que a reposição hormonal seja isenta de riscos. Significa que não é adequado classificá-la simplesmente como “segura” ou “perigosa” sem considerar quem é a paciente e qual tratamento está sendo proposto.

Reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama?

Essa questão exige uma análise cuidadosa porque o risco varia de acordo com o esquema hormonal utilizado e com a duração do tratamento.

A terapia sistêmica combinando estrogênio e determinados progestagênios está associada a um pequeno aumento do risco de câncer de mama com o uso prolongado. Já a terapia com uso de estrogênio isolado em mulheres que não possuem útero não apresenta o mesmo padrão de aumento de risco observado com a terapia combinada e, em alguns estudos, não houve aumento do risco de câncer de mama durante o período avaliado.

É importante lembrar que o risco de câncer de mama também é influenciado por diversos outros fatores, como idade, histórico familiar, obesidade, consumo de álcool, sedentarismo e características individuais.

Portanto, afirmações como “reposição hormonal causa câncer” ou “reposição hormonal não aumenta o risco de câncer” são simplificações. O risco precisa ser interpretado de acordo com o tratamento utilizado e com as características individuais da paciente.

E o risco de trombose?

A terapia hormonal sistêmica pode influenciar o risco de tromboembolismo venoso, e a via utilizada é um aspecto importante dessa avaliação.

O estrogênio administrado por via oral está associado a maior risco de tromboembolismo venoso. Já as formulações transdérmicas exercem menor efeito sobre esse risco, embora a escolha da terapia continue dependendo da avaliação individual.

Isso demonstra porque a dose, via de administração e fatores de risco da paciente precisam ser considerados antes da prescrição.

Quem não deve fazer reposição hormonal?

Existem situações em que a terapia hormonal sistêmica deve ser contraindicada e exigir avaliação especializada.

  • Câncer de mama ou outros tumores hormônio-dependentes;
  • Sangramento vaginal sem diagnóstico;
  • Doença hepática importante e ativa;
  • Histórico de tromboembolismo recente;
  • Acidente vascular cerebral;
  • Infarto ou determinadas doenças cardiovasculares.

Entretanto, as contraindicações não devem ser avaliadas apenas por uma lista genérica. O histórico completo da mulher e a modalidade de tratamento considerada fazem diferença.

Também é importante lembrar que o estrogênio vaginal e a terapia hormonal sistêmica não produzem o mesmo grau de exposição hormonal e, portanto, não apresentam exatamente o mesmo perfil de risco.

Quanto tempo dura a reposição hormonal?

Não existe um prazo único que determine quando todas as mulheres precisam interromper o tratamento.

A necessidade de continuidade deve ser reavaliada periodicamente, considerando se os sintomas permanecem, quais benefícios estão sendo obtidos, os possíveis riscos e eventuais mudanças na saúde da paciente.

A American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda que a decisão sobre a continuidade da terapia seja discutida periodicamente entre médica e paciente. Dessa forma, não existe uma regra universal determinando que toda mulher precise interromper o tratamento após um número específico de anos ou simplesmente ao atingir determinada idade.

O início, a manutenção e a eventual interrupção da terapia hormonal devem fazer parte de uma decisão individualizada e compartilhada.

Reposição hormonal feminina: conte com a avaliação personalizada da Dra. Veruska Barijan

A Dra. Veruska Barijan é médica com 20 anos de experiência, formada e com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Ultrassonografia pela UNICAMP. Possui especialização em Ginecologia Endócrina pela UNICAMP e pós-graduação em Reprodução Humana pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva.

Também realizou aprimoramento em Disfunções Sexuais Femininas pela UNIFESP e capacitação em ginecologia regenerativa e funcional.

Sua atuação combina conhecimento científico, tecnologia e cuidado humanizado, com uma avaliação que considera a mulher de forma integral.

Se você está enfrentando ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal, dor durante a relação ou outros sintomas da menopausa, agende uma consulta com a Dra. Veruska Barijan. 

A avaliação individualizada permite entender o que está acontecendo, esclarecer as opções disponíveis e, quando houver indicação, definir uma estratégia de terapia hormonal adequada e segura para o seu momento de vida.

FAQ – Reposição hormonal feminina

Quando indicamos a reposição hormonal feminina?

A reposição hormonal pode ser indicada principalmente para mulheres com sintomas da menopausa que interferem na qualidade de vida, como ondas de calor, suor noturno e sintomas geniturinários.

Toda mulher na menopausa precisa fazer reposição hormonal?

Não. A terapia hormonal não é obrigatória para todas as mulheres. A indicação depende dos sintomas, histórico de saúde, riscos, benefícios e preferências individuais.

Quais são os benefícios da reposição hormonal?


A terapia hormonal pode aliviar ondas de calor, suor noturno e ressecamento vaginal e também ajudar a prevenir a perda óssea em mulheres selecionadas.

Reposição hormonal engorda?


Não necessariamente. A terapia hormonal não deve ser utilizada para emagrecer e não causa obrigatoriamente ganho de peso. O peso e a composição corporal são influenciados por diversos fatores durante a menopausa.

É preciso fazer exames hormonais antes da reposição?

Nem sempre. Em muitas mulheres, a indicação é baseada nos sintomas, alterações menstruais e histórico clínico. Exames podem ser solicitados quando existe alguma indicação específica.

Reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama?

Alguns tipos de terapia hormonal, especialmente determinadas terapias combinadas de estrogênio e progestagênio, estão associadas a um pequeno aumento do risco de câncer de mama. O risco individual deve ser avaliado pelo médico.

Quem não pode fazer reposição hormonal?

A terapia hormonal sistêmica geralmente não é recomendada em algumas situações, como determinados cânceres, histórico de trombose, acidente vascular cerebral, infarto, doença hepática ou sangramento vaginal sem diagnóstico.

Reposição hormonal melhora o ressecamento vaginal?


Sim. O estrogênio alivia o ressecamento vaginal e outros sintomas geniturinários da menopausa. Quando os sintomas são exclusivamente vaginais, a terapia local pode ser uma alternativa.