DIU hormonal (Mirena e Kyleena) ou DIU não hormonal (Cobre ou Cobre+Prata: qual é o melhor?
A resposta depende do seu organismo, do seu padrão menstrual, do desejo de evitar hormônios e dos seus objetivos contraceptivos.
Os dois são métodos altamente eficazes, reversíveis e de longa duração. Porém, apresentam diferenças importantes, principalmente em relação ao sangramento menstrual, cólicas e ação hormonal.
Assim, é preciso entender como cada DIU funciona e avaliar qual deles se adapta melhor à saúde e ao momento de vida de cada mulher.
O que é o DIU?
O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo de longa duração e reversível, inserido dentro do útero por um profissional de saúde habilitado.
Uma de suas principais vantagens é oferecer proteção contraceptiva por vários anos, sem exigir que a mulher se lembre de utilizar o método diariamente.
Existem dois tipos principais de DIU:
- DIU de cobre e cobre+prata: não contêm hormônios. O cobre provoca alterações locais no ambiente uterino que interferem principalmente na mobilidade e na capacidade de fecundação dos espermatozoides, prevenindo a gravidez;
- DIU hormonal: libera continuamente pequena quantidade de levonorgestrel, um progestagênio. Sua ação inclui o espessamento do muco do colo do útero, dificultando a passagem dos espermatozoides, além de tornar o endométrio mais fino.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), tanto os DIUs de cobre quanto os hormonais estão entre os métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes disponíveis, com menos de uma gravidez a cada 100 mulheres durante o primeiro ano de uso.
Além da elevada eficácia, são métodos de longa duração, embora o período de proteção varie conforme o modelo utilizado. Os DIUs de cobre podem permanecer eficazes por aproximadamente 10 a 12 anos, enquanto os DIUs hormonais disponíveis têm duração que pode variar de 3 a 8 anos, de acordo com o dispositivo.
É importante destacar que longa duração não significa comprometimento da fertilidade futura. O DIU pode ser retirado a qualquer momento por um profissional habilitado e, após a remoção, a fertilidade tende a retornar rapidamente.
A escolha entre o DIU não hormonal e o hormonal deve considerar o perfil de cada mulher, seu padrão menstrual, histórico de saúde, preferências e objetivos contraceptivos.
Como funciona o DIU não hormonal (Cobre ou Cobre+Prata)?

O DIU de cobre e o DIU de cobre com prata são métodos contraceptivos de longa duração, não hormonais e muito eficazes. Ambos atuam principalmente por meio da liberação de íons de cobre no útero, que provocam uma reação local capaz de prejudicar a movimentação e a sobrevivência dos espermatozoides, impedindo a fecundação. A principal diferença é que o DIU de cobre com prata possui, além do cobre, uma pequena quantidade de prata incorporada ao dispositivo. A prata não é a principal responsável pelo efeito contraceptivo; sua presença está relacionada principalmente às características físico-químicas do dispositivo e à estabilidade do cobre ao longo do tempo.
Os dois métodos podem aumentar o fluxo menstrual e as cólicas, especialmente nos primeiros meses após a inserção. Alguns estudos sugerem que determinados modelos de cobre com prata podem apresentar menor intensidade de sangramento ou cólicas em comparação com alguns modelos tradicionais de cobre, mas essa vantagem não é observada de forma consistente em todos os estudos e não significa que toda mulher terá uma menstruação mais tranquila com o DIU de prata. Portanto, a escolha deve considerar não apenas a presença ou não da prata, mas também o modelo, o tamanho, a quantidade de cobre e as características individuais de cada paciente.
Em resumo, os dois são métodos contraceptivos muito eficazes e sem hormônios. Sendo que o DIU de cobre tem duração de 10 anos e o de prata de 5 anos.
O cobre é o principal responsável pela contracepção, enquanto a prata é um componente adicional do dispositivo e não deve ser entendida como responsável por um efeito contraceptivo muito superior. A escolha entre os dois deve ser individualizada, considerando o perfil menstrual da paciente, anatomia uterina, preferência pessoal, custo e o modelo específico do DIU.
Como funciona o DIU hormonal?

O Mirena e o Kyleena são DIUs hormonais que atuam principalmente pela liberação contínua de levonorgestrel (LNG) dentro da cavidade uterina. Os principais mecanismos responsáveis pela sua elevada eficácia contraceptiva são espessamento do muco cervical + alteração do endométrio + prejuízo da função dos espermatozoides.
Ambos oferecem contracepção altamente eficaz e de longa duração, mas existem algumas diferenças. O Mirena contém 52 mg de levonorgestrel e possui aproximadamente 32 × 32 mm, enquanto o Kyleena contém 19,5 mg de levonorgestrel e é um pouco menor, medindo aproximadamente 28 × 30 mm.
O Mirena pode ser utilizado por até 8 anos para contracepção, enquanto o Kyleena pode ser utilizado por até 5 anos, conforme as indicações aprovadas.
O Mirena, por liberar uma quantidade maior de levonorgestrel, tende a produzir um efeito mais intenso sobre o endométrio, sendo especialmente interessante para mulheres que desejam, além da contracepção, reduzir bastante o fluxo menstrual como em casos de miomas uterinos, adenomiose e endometriose. Em muitas mulheres, pode ocorrer ausência de menstruação ao longo do uso.
O Kyleena também oferece excelente eficácia contraceptiva, mas, por conter uma dose menor de hormônio, geralmente promove menor supressão do endométrio, sendo maior a chance de a paciente continuar apresentando menstruações.
Os dois podem causar alterações no padrão de sangramento nos primeiros meses, como escapes e irregularidade menstrual, que tendem a melhorar com o tempo. O Kyleena, por ser um pouco menor, pode ser uma opção interessante para algumas mulheres com útero menor ou que desejam um dispositivo de menores dimensões, embora a escolha não deva ser baseada apenas no tamanho uterino.
Como escolher o DIU mais adequado para mim?
Não existe um tipo de DIU que seja melhor para todas as mulheres. A escolha entre o DIU hormonal e o DIU não hormonal deve considerar não apenas a eficácia contraceptiva, mas também o padrão menstrual, a presença de cólicas, o desejo ou não de utilizar hormônios, o histórico de saúde e as preferências de cada paciente.
Os dois métodos oferecem contracepção de longa duração e elevada eficácia, mas apresentam características diferentes que podem influenciar diretamente a experiência durante o uso.
Por isso, antes da inserção, realizamos uma avaliação individualizada para entender o perfil da paciente e discutir os benefícios e possíveis efeitos de cada opção.
DIU hormonal ou DIU não hormonal: qual altera mais a menstruação?
Essa é uma das diferenças mais importantes entre os dois métodos.
DIU de cobre ou cobre e prata
Como não contém hormônios, esses DIUs mantêm o ciclo hormonal natural da mulher. Entretanto, sua presença no útero pode modificar o padrão de sangramento, especialmente nos primeiros meses de uso.
Algumas mulheres podem apresentar:
- Aumento do fluxo menstrual;
- Sangramentos mais prolongados;
- Aumento das cólicas;
- Escapes ou sangramentos irregulares, principalmente no período de adaptação.
Por isso, quando a mulher já apresenta fluxo menstrual muito intenso ou cólicas importantes, essas características precisam ser consideradas antes da escolha.
DIU hormonal
O DIU hormonal libera levonorgestrel diretamente no útero e exerce importante ação sobre o endométrio, tornando-o progressivamente mais fino.
Nos primeiros meses, escapes e sangramentos irregulares são relativamente comuns. Com a continuidade do uso, entretanto, o fluxo menstrual geralmente diminui. Algumas mulheres passam a menstruar muito pouco e outras podem apresentar amenorreia, ou seja, ausência de menstruação.
É importante esclarecer que não menstruar durante o uso do DIU hormonal não significa que o sangue esteja se acumulando dentro do útero. A redução ou ausência do sangramento ocorre porque o endométrio permanece mais fino e, consequentemente, há menos tecido para ser eliminado durante a menstruação.
Qual DIU é mais indicado para quem tem fluxo menstrual intenso?
Para mulheres que apresentam sangramento menstrual intenso, o DIU hormonal com levonorgestrel pode oferecer uma vantagem importante.
Além de prevenir a gravidez, determinados sistemas intrauterinos com levonorgestrel podem ser utilizados no tratamento do sangramento menstrual intenso, após avaliação da causa do problema e da indicação para cada paciente.
O DIU de cobre ou cobre e prata, por outro lado, pode aumentar o volume e a duração do sangramento, sobretudo nos primeiros meses.
Dessa forma, mulheres que já apresentam fluxo muito intenso, anemia por deficiência de ferro ou outras repercussões decorrentes da perda menstrual precisam avaliar cuidadosamente essa opção com a ginecologista.
E para quem tem cólicas menstruais?
O padrão de cólicas também deve ser considerado na escolha.
Como o DIU hormonal promove o afinamento do endométrio e costuma reduzir o sangramento menstrual, muitas mulheres também apresentam melhora das cólicas ao longo do uso.
Já o DIU não hormonal pode aumentar as cólicas, principalmente durante os primeiros ciclos após a inserção.
Entretanto, cólicas intensas ou incapacitantes não devem ser simplesmente atribuídas à menstruação. Quando a dor interfere nas atividades diárias, piora progressivamente ou está associada a outros sintomas, é importante investigar condições como endometriose e adenomiose antes de definir o método contraceptivo.
DIU hormonal tem menos hormônio que outros anticoncepcionais?
O DIU hormonal libera levonorgestrel predominantemente dentro do útero. Embora uma pequena quantidade do hormônio alcance a circulação sanguínea, a exposição sistêmica é muito menor do que a observada em contraceptivos hormonais de ação sistêmica.
Isso não significa, entretanto, que o DIU seja um método “sem hormônio” ou que seja impossível apresentar efeitos fora do útero.
Algumas pacientes podem perceber acne, sensibilidade nas mamas, dor de cabeça ou alterações de humor, entre outros sintomas. A ocorrência e a intensidade desses efeitos variam individualmente.
Outra diferença importante é que o DIU hormonal não contém estrogênio, o que pode ser relevante na escolha contraceptiva em determinadas pacientes.
Não quero utilizar hormônios. O DIU de cobre é uma boa opção?
O DIU de cobre ou cobre e prata são as principais alternativas contraceptivas de longa duração para mulheres que desejam evitar métodos hormonais.
Eles não interferem diretamente na produção dos hormônios ovarianos e mantêm elevada eficácia contraceptiva durante todo o período recomendado de uso.
Entretanto, a preferência por um método sem hormônios precisa ser analisada em conjunto com outras características. Uma mulher que já apresenta fluxo menstrual muito intenso ou cólicas importantes, por exemplo, pode ter piora desses sintomas com o DIU de cobre.
Por isso, “ter hormônio ou não ter hormônio” não deve ser o único critério para a escolha do DIU.
O DIU pode ser utilizado por quem nunca engravidou?
Sim. Não é necessário ter tido filhos para utilizar os diferentes tipos de DIUs.
Tanto mulheres que já passaram por uma gestação quanto aquelas que nunca engravidaram podem ser candidatas ao método. Adolescentes também podem utilizar DIU quando adequado às suas necessidades e não houver contraindicações.
A decisão deve considerar o histórico clínico, os objetivos contraceptivos, possíveis condições ginecológicas e as preferências da paciente.
Como é realizada a colocação do DIU? Dói?
A inserção do DIU é realizada através do colo do útero e, em geral, é um procedimento relativamente rápido. Antes da colocação, fazemos a avaliação ginecológica e verificamos se existe alguma condição que precise ser investigada ou tratada antes do procedimento.
Durante a inserção, algumas mulheres sentem apenas um desconforto, enquanto outras apresentam cólicas mais intensas. A percepção da dor é individual e pode variar conforme características anatômicas, experiências anteriores e outros fatores.
Por isso, o controle da dor deve ser discutido antes da colocação. Podemos avaliar individualmente as estratégias mais adequadas para proporcionar maior conforto durante o procedimento.
Após a inserção, podem ocorrer cólicas e pequenos sangramentos, especialmente nos primeiros dias. Alterações no padrão menstrual também são esperadas durante o período inicial de adaptação e variam conforme o tipo de DIU escolhido.
Quais são os riscos do DIU?
Tanto o DIU hormonal quanto o DIU não hormonal são considerados métodos seguros quando corretamente indicados e inseridos por profissional habilitado. Entretanto, como qualquer procedimento ou método contraceptivo, existem possíveis intercorrências.
Entre elas estão a expulsão parcial ou completa do dispositivo, perfuração uterina durante a inserção (uma complicação rara), cólicas e alterações no padrão de sangramento.
Existe também um pequeno aumento transitório do risco de infecção pélvica após a inserção quando há uma infecção cervical não diagnosticada no momento do procedimento. Por isso, a avaliação clínica e a investigação de infecções sexualmente transmissíveis, quando indicadas, fazem parte dos cuidados relacionados à inserção.
A gravidez durante o uso é rara devido à elevada eficácia do DIU. Entretanto, caso ocorra, é necessária avaliação médica para confirmar a localização da gestação e definir a conduta adequada.
DIU protege contra infecções sexualmente transmissíveis?
Não. Nem o DIU hormonal nem o DIU de cobre oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sífilis, gonorreia e clamídia.
O DIU tem como principal finalidade prevenir a gravidez. Quando existe possibilidade de exposição a ISTs, o preservativo continua sendo uma medida importante de prevenção.
Os dois métodos podem, portanto, ser utilizados de maneira complementar: o DIU para contracepção e o preservativo para reduzir o risco de transmissão de ISTs.
Posso engravidar depois de retirar o DIU?
Sim. Tanto o DIU hormonal quanto o DIU de cobre são métodos contraceptivos reversíveis e não comprometem a fertilidade futura.
Depois que o dispositivo é retirado, não existe um período obrigatório de espera para tentar engravidar, e não é esperado um atraso prolongado da fertilidade causado pelo uso prévio do DIU.
Naturalmente, o tempo necessário para conseguir uma gestação varia de mulher para mulher e depende de fatores como idade, frequência de ovulação, reserva ovariana, condições ginecológicas e fertilidade do parceiro.
Essa reversibilidade é justamente uma das vantagens do DIU: ele permite uma contracepção altamente eficaz durante o período em que a mulher deseja evitar uma gestação, sem impedir que posteriormente planeje engravidar.
DIU hormonal ou DIU não hormonal: fale com a Dra. Veruska Barijan
A Dra. Veruska Barijan é médica com 20 anos de experiência, formada e com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Ultrassonografia pela UNICAMP.
Possui especialização em Ginecologia Endócrina pela UNICAMP e pós-graduação em Reprodução Humana pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva.
Na escolha de um método contraceptivo, a Dra. Veruska avalia o histórico de saúde, o padrão menstrual, os sintomas, os planos reprodutivos e as preferências da mulher para orientar uma decisão segura e consciente.
Se você está em dúvida entre DIU hormonal e DIU de cobre, agende uma consulta com a Dra. Veruska Barijan.
Uma avaliação personalizada pode ajudar a entender as diferenças entre os métodos e identificar qual opção faz mais sentido para o seu momento de vida.
FAQ – DIU hormonal ou DIU de cobre
Não existe um DIU melhor para todas as mulheres. O DIU hormonal pode ser vantajoso para quem deseja reduzir o fluxo e as cólicas, enquanto o DIU de cobre é uma opção para quem prefere evitar os hormônios.
Os dois são métodos altamente eficazes. Tanto o DIU hormonal quanto o DIU de cobre apresentam menos de uma gravidez por 100 mulheres no primeiro ano de uso.
O DIU hormonal costuma reduzir o fluxo menstrual e pode fazer algumas mulheres deixarem de menstruar após alguns meses de uso.
Pode aumentar o fluxo e as cólicas, principalmente nos primeiros meses após a inserção.
Pode, mas o tipo de DIU é importante. O DIU hormonal tende a reduzir cólicas, enquanto o DIU de cobre pode intensificá-las.
Sim. Ele libera levonorgestrel, um progestagênio, principalmente dentro do útero.
Não. O DIU de cobre ou cobre e prata são métodos contraceptivos não hormonais.
Não. Nenhum dos dois tipos de DIU protege contra infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo continua sendo recomendado quando existe risco de exposição.
