Dra. Veruska Barijan — Ginecologista
Ressecamento vaginal: causas, tratamentos e qualidade de vida

Ressecamento vaginal: causas, tratamentos e qualidade de vida

setembro 1, 2026

O ressecamento vaginal é a redução da lubrificação e da hidratação natural da vagina. Embora a condição seja tratada como um problema exclusivamente relacionado à vida sexual, suas consequências podem ir muito além do momento da relação.  Desconforto persistente, alterações urinárias, insegurança e dor podem interferir na autoestima, no sono, nos relacionamentos e no bem-estar […]

O ressecamento vaginal é a redução da lubrificação e da hidratação natural da vagina. Embora a condição seja tratada como um problema exclusivamente relacionado à vida sexual, suas consequências podem ir muito além do momento da relação. 

Desconforto persistente, alterações urinárias, insegurança e dor podem interferir na autoestima, no sono, nos relacionamentos e no bem-estar da mulher.

O tratamento depende da causa e pode incluir hidratantes, lubrificantes, terapias hormonais e, em casos selecionados, tratamentos com laser vaginal.

Como funciona a lubrificação íntima feminina?

A lubrificação vaginal é resultado da combinação de diferentes mecanismos do organismo. Ela envolve a transudação de líquidos através da parede vaginal e a produção de secreções por estruturas glandulares.

As glândulas de Bartholin, localizadas próximas à entrada da vagina, produzem secreções que contribuem para a lubrificação durante a resposta sexual. Já as glândulas de Skene, próximas à uretra, também participam da produção de fluidos.

Além desses mecanismos, o equilíbrio hormonal é fundamental para manter a vagina saudável e adequadamente lubrificada. 

O estrogênio contribui para a espessura, elasticidade, vascularização e hidratação da mucosa vaginal, favorecendo também uma resposta adequada aos estímulos sexuais.

Quando os níveis de estrogênio diminuem, esses tecidos podem se tornar mais finos, menos elásticos e mais secos, favorecendo o ressecamento e o desconforto vaginal. 

Essa alteração é especialmente comum durante o climatério e após a menopausa, embora também possa ocorrer em outras situações de redução estrogênica.

O que é ressecamento vaginal?

O ressecamento vaginal ocorre quando há redução da lubrificação e da hidratação dos tecidos vaginais, provocando sensação de secura e, em alguns casos, alterações na própria mucosa.

Quando está relacionado à queda do estrogênio, pode fazer parte da chamada síndrome geniturinária da menopausa (SGM). 

Essa condição pode envolver não apenas secura, mas também ardência, coceira, dor durante a relação sexual, pequenos sangramentos e sintomas urinários como infecções ou perdas urinárias.

A SGM pode persistir ou até se intensificar com o passar dos anos se não for tratada. Entretanto, ressecamento vaginal não é exclusivo da menopausa, pois pode aparecer em diferentes fases da vida.

Quais são as causas do ressecamento vaginal?

A queda do estrogênio é uma das causas mais importantes, mas não é a única.

Entre as situações que podem contribuir para a secura vaginal estão:

  • Pós-parto;
  • Durante a amamentação;
  • Uso de alguns anticoncepcionais hormonais;
  • Alguns medicamentos, incluindo determinados antidepressivos;
  • Tratamentos contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia;
  • Algumas doenças que afetam a produção hormonal;
  • Estresse e ansiedade;
  • Falta de excitação ou estímulo sexual adequado;
  • Irritação provocada por sabonetes, duchas e produtos perfumados;
  • Algumas condições dermatológicas e ginecológicas.

Por isso, não recomendamos iniciar um tratamento sem investigar a origem do problema.

Quais são os sintomas do ressecamento vaginal?

O principal sintoma é a sensação de secura, mas a condição pode provocar diferentes manifestações. Os sinais mais comuns incluem:

  • Ardência ou queimação;
  • Coceira;
  • Irritação;
  • Sensibilidade aumentada;
  • Dor ou desconforto durante a relação sexual;
  • Dificuldade ou incômod durante a penetração;
  • Pequenos sangramentos após a relação;
  • Redução da lubrificação durante o estímulo sexual;
  • Em algumas mulheres, sintomas urinários, como ardência ou aumento da frequência urinária.

Como fazemos o diagnóstico do ressecamento vaginal?

O diagnóstico começa com uma consulta ginecológica detalhada.

Investigamos quando os sintomas começaram, se existe relação com menopausa, parto ou amamentação, quais medicamentos estão sendo utilizados, como está o ciclo menstrual e se existe dor durante as relações.

Já a partir do exame ginecológico, avaliamos:

  • Aspecto da mucosa vaginal;
  • Elasticidade dos tecidos;
  • Presença de vermelhidão ou irritação;
  • Grau de lubrificação;
  • Fissuras ou lesões;
  • Alterações na vulva e na vagina.

Dependendo dos sintomas, outros exames podem ser necessários para descartar infecções, doenças dermatológicas ou outras causas de dor e irritação.

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Como tratar o ressecamento vaginal?

O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas, da idade, do histórico de saúde e dos objetivos da paciente.

Confira abaixo as principais abordagens disponíveis:

Hidratantes vaginais

Podemos indicar os hidratantes vaginais para uso regular com o intuito de melhorar a hidratação e aliviar sintomas de secura.

Eles são diferentes dos lubrificantes. Enquanto o hidratante tem uso regular para ajudar no conforto vaginal, o lubrificante é utilizado principalmente durante a atividade sexual para diminuir o atrito.

Lubrificantes

Lubrificantes podem melhorar bastante o conforto durante a relação sexual, especialmente quando existe dor relacionada ao atrito.

A escolha deve considerar a composição do produto e a sensibilidade individual. Produtos perfumados ou potencialmente irritantes devem ser evitados.

Estrogênio vaginal

Quando o ressecamento está associado à redução do estrogênio, especialmente na menopausa, o hormônio via vaginal pode ser uma opção importante.

Ele atua diretamente nos tecidos vaginais, ajudando a recuperar características da mucosa e aliviar sintomas como secura, irritação e dor durante a relação. 

É possível utilizá-lo em diferentes composições e apresentações, destacando-se o promestrieno, estriol e estradiol como gel ou óvulo vaginal.

A indicação precisa ser personalizada, especialmente em mulheres com histórico de determinados tipos de câncer ou outras condições clínicas específicas.

Laser genital para ressecamento: como funciona?

O laser genital ganhou espaço nos últimos anos como uma alternativa para mulheres que apresentam sintomas relacionados à alteração dos tecidos vaginais, especialmente no período do climatério e da menopausa.

Realizamos o procedimento em consultório, utilizando uma ponteira desenvolvida especificamente para a aplicação ginecológica.

A duração da sessão costuma ser relativamente curta e o desconforto geralmente é considerado baixo, mas a experiência pode variar entre as pacientes.

De forma geral, nossa proposta é aplicar energia de maneira controlada sobre a mucosa vaginal, promovendo uma resposta de reparação tecidual e estimulando processos relacionados à remodelação do colágeno.

Tudo isso contribui para melhorar características do tecido, como elasticidade, espessura e hidratação, com possível redução de sintomas como secura e desconforto sexual.

Devemos discutir a possibilidade de utilizar laser individualmente, principalmente quando a paciente apresenta sintomas persistentes e deseja conhecer alternativas terapêuticas.

Antes do procedimento, é importante:

  • Confirmar a causa do ressecamento;
  • Avaliar a condição da mucosa vaginal;
  • Investigar infecções ou outras doenças;
  • Discutir benefícios esperados;
  • Avaliar possíveis contraindicações;
  • Utilizar equipamento e protocolo adequados.

Lembramos que o laser não substitui automaticamente o tratamento hormonal ou os hidratantes e lubrificantes, e sua indicação deve ser baseada em avaliação médica criteriosa.

Ressecamento vaginal tem prevenção?

Nem sempre é possível evitar o ressecamento, especialmente quando ele está relacionado a alterações hormonais naturais. 

Entretanto, alguns cuidados podem ajudar a preservar a saúde íntima.

Entre eles, destacamos:

  • Evitar duchas vaginais;
  • Não utilizar sabonetes, perfumes ou desodorantes íntimos irritantes;
  • Preferir produtos suaves para a higiene externa;
  • Utilizar lubrificante durante relações quando necessário;
  • Utilizar hidratantes vaginais quando indicados;
  • Manter atividade sexual ou outras formas de estímulo, quando confortáveis;
  • Controlar doenças e condições que possam afetar a saúde vaginal;
  • Procurar avaliação ginecológica diante de dor, sangramento ou sintomas persistentes.

Dra. Veruska Barijan: cuidado individualizado para a saúde íntima da mulher

A Dra. Veruska Barijan é médica com 20 anos de experiência, formada e com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Ultrassonografia pela UNICAMP. 

Possui especialização em Ginecologia Endócrina pela UNICAMP, pós-graduação em Reprodução Humana pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva, aprimoramento em Disfunções Sexuais Femininas pela UNIFESP e capacitação em ginecologia regenerativa e funcional.

No caso do ressecamento vaginal, uma avaliação especializada é importante para identificar se existe uma causa hormonal, ginecológica, medicamentosa ou relacionada a outros fatores. 

A partir dessa investigação, é possível discutir opções como hidratantes, lubrificantes, tratamentos hormonais e tecnologias como o laser vaginal.

Se você apresenta ressecamento vaginal, dor durante a relação, ardência ou desconforto íntimo, agende uma consulta com a Dra. Veruska Barijan

O acompanhamento médico permite entender a causa dos sintomas e escolher uma estratégia de tratamento segura para recuperar o conforto e a saúde íntima.

FAQ – Ressecamento vaginal

O que causa ressecamento vaginal?

A causa mais comum é a redução do estrogênio, especialmente durante a menopausa. O problema também pode ocorrer no pós-parto, durante a amamentação, pelo uso de alguns medicamentos, anticoncepcionais, tratamentos contra o câncer e outros fatores.

Ressecamento vaginal é normal na menopausa

É comum, mas não precisa ser considerado algo que a mulher deve aceitar. Existem tratamentos capazes de aliviar a secura, a irritação e a dor durante a relação.

Como tratar o ressecamento vaginal?

O tratamento depende da causa e pode incluir hidratantes vaginais, lubrificantes, estrogênio vaginal e outras terapias como o laser vaginal.

O laser vaginal trata o ressecamento?

O laser vaginal pode aliviar muitos dos sintomas das pacientes, sendo que o melhor resultado vem da associação dos tratamentos. Por isso, sua indicação deve ser discutida com um ginecologista.

Ressecamento vaginal causa dor durante a relação?

Sim. A falta de lubrificação pode aumentar o atrito e provocar ardência, dor, pequenas fissuras e desconforto durante ou após a relação sexual.

Qual especialista trata ressecamento vaginal?

A ginecologista é a profissional que investiga a causa do ressecamento vaginal e indica o tratamento mais adequado para cada caso. Dependendo do quadro, também pode ser necessário acompanhamento conjunto com fisioterapeuta pélvico.

Ressecamento vaginal tem cura?

O controle dos sintomas é possível na maioria dos casos, mas o tratamento depende da causa. Quando o problema está relacionado à queda hormonal da menopausa são necessárias estratégias de tratamento e acompanhamento contínuos.