Dra. Veruska Barijan — Ginecologista
Endometriose: sintomas que vão além da cólica menstrual

Endometriose: sintomas que vão além da cólica menstrual

setembro 29, 2026

A endometriose pode causar muito mais do que cólicas menstruais intensas. Essa é uma doença ginecológica crônica que pode afetar mulheres em diferentes fases da vida.  Dor pélvica crônica, dor durante ou após a relação sexual, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, infertilidade, cansaço e dor lombar estão entre os sintomas que podem estar […]

A endometriose pode causar muito mais do que cólicas menstruais intensas. Essa é uma doença ginecológica crônica que pode afetar mulheres em diferentes fases da vida. 

Dor pélvica crônica, dor durante ou após a relação sexual, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, infertilidade, cansaço e dor lombar estão entre os sintomas que podem estar relacionados à doença. 

Em algumas mulheres, porém, a endometriose pode existir mesmo sem sintomas, tornando a avaliação ginecológica fundamental.

O que é endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica, inflamatória e dependente de estrogênio, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina.

O endométrio é o tecido que reveste internamente o útero e sofre modificações ao longo do ciclo menstrual. Na endometriose, células com características semelhantes às endometriais se desenvolvem em outros locais, principalmente na pelve, formando lesões que podem apresentar diferentes tamanhos, profundidades e padrões de comprometimento.

Essas lesões podem ser encontradas no peritônio pélvico, ovários, ligamentos que sustentam o útero, região posterior ao útero e espaço entre a vagina e o reto, além de estruturas próximas, como intestino, bexiga e ureteres. Mais raramente, a doença pode acometer regiões fora da pelve.

Nos ovários, por exemplo, a endometriose pode levar à formação dos chamados endometriomas, cistos associados à doença. Em outros locais, as lesões podem ser superficiais ou infiltrar mais profundamente os tecidos, caracterizando diferentes formas de apresentação da endometriose.

Como a endometriose afeta o organismo?

A endometriose pode provocar manifestações muito diferentes de uma mulher para outra. Isso acontece porque as lesões variam em localização, profundidade e extensão e podem estar associadas a processos inflamatórios, fibrose, aderências e sensibilização das estruturas envolvidas.

Por isso, embora a cólica menstrual intensa seja um dos sintomas mais conhecidos, a doença pode afetar a vida sexual, o funcionamento intestinal, urinário e a fertilidade, além de causar dor pélvica que pode persistir fora do período menstrual.

A localização das lesões ajuda a explicar parte dos sintomas, mas não existe uma relação direta entre a extensão da endometriose e a intensidade das manifestações. Algumas mulheres com poucas lesões apresentam dor incapacitante, enquanto outras com doença extensa têm sintomas discretos.

Por que a endometriose provoca inflamação e dor?

As lesões de endometriose são influenciadas pelo ambiente hormonal, especialmente pelo estrogênio e estão associadas à produção de mediadores inflamatórios. Essa inflamação persistente pode aumentar a sensibilidade das terminações nervosas e contribuir para a formação e sensibilização de fibras nervosas próximas às lesões.

Com o tempo, também podem ocorrer fibrose e aderências, alterando a mobilidade e a relação anatômica entre estruturas da pelve. Ovários, útero, tubas, intestino e outras estruturas podem ficar aderidos entre si, contribuindo para diferentes padrões de dor.

Além disso, quando a dor persiste por períodos prolongados, mecanismos de sensibilização do sistema nervoso podem participar da manutenção da dor. Isso ajuda a compreender por que a intensidade dos sintomas nem sempre corresponde ao tamanho ou à quantidade de lesões encontradas nos exames.

Entre as manifestações mais características estão cólicas menstruais intensas e progressivas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais e sintomas intestinais ou urinários, especialmente quando apresentam piora relacionada ao ciclo menstrual.

Dor durante a relação sexual pode ser endometriose?

Sim. A dor durante ou após a relação sexual, especialmente a dor profunda, pode estar associada à endometriose.

Esse sintoma, chamado dispareunia, pode ocorrer principalmente quando existem lesões ou alterações inflamatórias em regiões profundas da pelve, como retrouterinas, nos ligamentos uterossacros ou na região entre a vagina e o reto.

A dor pode surgir durante a penetração profunda e, em algumas mulheres, permanecer por algum tempo após a relação. Além do desconforto físico, quando recorrente, ela pode interferir no desejo sexual, na intimidade e na qualidade de vida.

É importante, entretanto, não atribuir toda dor durante a relação à endometriose. Ressecamento vaginal, infecções, alterações do assoalho pélvico e outras condições ginecológicas também podem provocar dispareunia e precisam ser consideradas durante a investigação.

Quer entender melhor outras causas da baixa libido e disfunções sexuais femininas? Confira também nosso conteúdo sobre o tema.

Endometriose pode causar sintomas intestinais?

Sim. Sintomas intestinais são relativamente comuns em mulheres com endometriose e podem ocorrer tanto pela proximidade e inflamação das estruturas pélvicas quanto, em determinados casos, pelo comprometimento do próprio intestino.

Quando existe endometriose intestinal, as lesões acometem com maior frequência regiões como o reto e o sigmoide. Os sintomas podem incluir:

  • Dor ao evacuar;
  • Dor ou sensação de pressão no reto;
  • Distensão abdominal;
  • Constipação ou diarreia;
  • Alterações do hábito intestinal;
  • Piora da dor abdominal durante a menstruação;
  • Mais raramente, sangramento intestinal.

Um dado particularmente importante para a investigação é a relação dos sintomas com o ciclo menstrual. Dor para evacuar, distensão ou alterações intestinais que aparecem ou pioram repetidamente durante a menstruação merecem atenção, principalmente quando acompanhadas de cólicas intensas, dor pélvica ou dor durante a relação.

Como esses sintomas também estão presentes em diversas doenças gastrointestinais, a avaliação médica é fundamental para estabelecer a causa.

A endometriose pode afetar a bexiga e os ureteres?

Sim. Embora seja menos frequente do que outras formas da doença, a endometriose também pode acometer o trato urinário, principalmente a bexiga e, menos frequentemente, os ureteres.

Quando existe comprometimento da bexiga, a mulher pode apresentar dor ou ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, desconforto quando a bexiga está cheia e, em alguns casos, presença de sangue na urina. 

A piora desses sintomas durante o período menstrual pode levantar a suspeita de endometriose.

O comprometimento dos ureteres merece atenção especial, pois nem sempre provoca sintomas evidentes. Dependendo da localização e do grau de obstrução, a doença pode dificultar a passagem da urina do rim para a bexiga e comprometer progressivamente a função renal.

Por isso, sintomas urinários recorrentes ou cíclicos não devem ser automaticamente atribuídos a infecções urinárias. Quando existe suspeita de endometriose, é necessário avaliar o quadro de forma mais ampla.

Endometriose causa infertilidade?

A endometriose está associada à redução da fertilidade em algumas mulheres, mas receber o diagnóstico não significa que a paciente seja infértil. Muitas mulheres com endometriose engravidam espontaneamente.

Quando existe dificuldade para engravidar, diferentes mecanismos podem estar envolvidos. A inflamação pélvica e as aderências podem interferir na anatomia e no funcionamento das tubas e dos ovários.

Endometriomas ovarianos e tratamentos cirúrgicos prévios também são fatores que precisam ser considerados na avaliação da reserva ovariana e do planejamento reprodutivo.

A abordagem deve ser individualizada. Idade da mulher, reserva ovariana, localização e extensão da doença, presença de endometriomas, condições das tubas, tempo de tentativa de gravidez e fatores relacionados ao parceiro são alguns dos aspectos considerados antes de definir a conduta.

Por isso, mulheres com endometriose que desejam engravidar, agora ou futuramente, devem conversar com a ginecologista sobre planejamento reprodutivo. Em alguns casos, pode ser importante discutir estratégias para preservar a fertilidade ou avaliar o melhor momento para tentar uma gestação.

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Toda mulher com endometriose sente dor? 

Não. A endometriose pode evoluir sem dor ou com manifestações tão discretas que a mulher não percebe que existe uma doença em desenvolvimento. 

Em alguns casos, o diagnóstico acontece durante a investigação de infertilidade, em exames realizados por outros motivos ou até durante procedimentos cirúrgicos.

A ausência de dor, entretanto, não significa necessariamente que a endometriose seja leve ou que não esteja comprometendo outras estruturas. A intensidade dos sintomas não apresenta relação direta com a extensão ou a localização das lesões.

Uma mulher pode ter pouco ou nenhum desconforto e apresentar endometriomas ovarianos, aderências pélvicas ou lesões profundas envolvendo estruturas próximas. Dependendo da localização, a doença pode comprometer intestino, bexiga e, especialmente, os ureteres — canais responsáveis por conduzir a urina dos rins até a bexiga.

O acometimento ureteral merece atenção porque pode, em alguns casos, evoluir de maneira silenciosa e provocar obstrução do fluxo urinário, levando à dilatação do trato urinário e, quando não reconhecido e tratado adequadamente, ao comprometimento da função renal.

A endometriose também pode provocar alterações anatômicas na pelve e afetar ovários e tubas, com possíveis repercussões sobre a fertilidade, mesmo em mulheres que não apresentam dor importante.

Por isso, a gravidade da endometriose não deve ser determinada apenas pela presença ou intensidade da dor. 

Quando a doença é identificada, a avaliação deve considerar sua localização, profundidade, órgãos envolvidos, possíveis repercussões funcionais e os planos reprodutivos da paciente.

É esse conjunto de informações que permite definir a necessidade e a melhor forma de acompanhamento ou tratamento.

Como realizamos o diagnóstico dessa condição?

O diagnóstico começa com uma história clínica detalhada e exame ginecológico, considerando os sintomas, sua intensidade, localização e relação com o ciclo menstrual.

Podemos perguntar, por exemplo:

  • A dor começou recentemente ou existe há anos?
  • Ela piorou progressivamente?
  • A dor impede atividades do cotidiano?
  • Existe dor durante a relação?
  • Há alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação?
  • Existe dificuldade para engravidar?
  • Há histórico familiar de endometriose?

Os exames de imagem também podem ser importantes.

A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e protocolo especializado para investigação de endometriose pode ajudar a identificar lesões e avaliar estruturas da pelve.

Em determinadas situações, a ressonância magnética de pelve também pode contribuir para o mapeamento da doença.

Fazemos a escolha do exame a partir dos sintomas e da suspeita clínica.

Como realizamos o tratamento da endometriose? 

O tratamento da endometriose deve ser individualizado. Não existe uma única abordagem adequada para todas as mulheres, e nem toda paciente com diagnóstico de endometriose precisa ser submetida à cirurgia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a escolha do tratamento deve considerar a apresentação e extensão da doença, as repercussões sobre os órgãos, as preferências da paciente, os possíveis efeitos adversos das terapias e, especialmente, o desejo de engravidar no presente ou no futuro.

O objetivo também varia conforme cada caso. Podemos buscar controlar a atividade da doença e a dor, preservar a função dos órgãos acometidos, proteger a fertilidade e melhorar a qualidade de vida. Para isso, diferentes estratégias podem ser utilizadas isoladamente ou de maneira combinada.

Tratamento hormonal

O tratamento hormonal é uma das principais abordagens para mulheres que não desejam engravidar naquele momento. O objetivo é reduzir a estimulação hormonal das lesões e, em muitos casos, diminuir ou suprimir a menstruação, contribuindo para o controle da atividade e das manifestações da doença.

Entre as opções estão contraceptivos hormonais combinados e diferentes tipos de progestagênios, administrados por via oral ou por outros sistemas, como o dispositivo intrauterino com levonorgestrel.

A escolha depende da idade, características da doença, condições clínicas, contraindicações, efeitos adversos, resposta a tratamentos anteriores e preferências da paciente.

É importante compreender que o tratamento hormonal controla a doença enquanto está sendo utilizado, mas não elimina definitivamente as lesões de endometriose. Por isso, o acompanhamento ao longo do tempo continua sendo necessário.

Medicamentos para controle da dor

Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados em determinadas situações para aliviar a dor, principalmente durante períodos de maior desconforto.

Esses medicamentos, entretanto, atuam sobre o sintoma e não sobre as lesões da endometriose. Quando a dor é recorrente ou persistente, é importante avaliar a necessidade de outras estratégias, em vez de manter apenas o uso repetido de analgésicos.

Tratamento multidisciplinar da dor

A dor relacionada à endometriose pode ser complexa. Quando persiste por muito tempo, ela pode deixar de depender exclusivamente das próprias lesões e envolver alterações do assoalho pélvico, sensibilização de estruturas nervosas e mecanismos de dor crônica.

Por isso, algumas pacientes se beneficiam de uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico, especialistas em tratamento da dor, atividade física orientada e acompanhamento psicológico, conforme as necessidades identificadas.

O objetivo não é apenas controlar a doença visível nos exames, mas recuperar funcionalidade, sono, sexualidade, bem-estar e qualidade de vida.

E quando a mulher deseja engravidar?

O planejamento muda quando existe desejo de gestação, porque os tratamentos hormonais utilizados para suprimir a atividade da endometriose também impedem a gravidez enquanto estão em uso.

Nesses casos, avaliamos fatores como idade, reserva ovariana, tempo de tentativa de gestação, presença de endometriomas, condições das tubas, extensão da doença e fatores relacionados à fertilidade do parceiro.

Dependendo do caso, podemos indicar tentativa de gravidez espontânea por determinado período, cirurgia ou encaminhamento para técnicas de reprodução assistida.

A decisão de operar um endometrioma ovariano antes de uma tentativa de gravidez, por exemplo, exige atenção especial. A cirurgia do ovário pode reduzir a reserva ovariana, e, por isso, seus potenciais benefícios e riscos precisam ser cuidadosamente considerados antes do procedimento.

Quando a cirurgia para endometriose é indicada?

A cirurgia não é necessária para todas as pacientes. Ela pode ser considerada quando existem situações como comprometimento de órgãos, determinadas formas de endometriose profunda, alterações anatômicas relevantes, dor persistente apesar do tratamento clínico ou outras indicações individualizadas.

Quando realizada, a cirurgia busca remover ou tratar as lesões e, quando possível, restaurar a anatomia e preservar a função dos órgãos envolvidos.

O planejamento é especialmente importante nos casos de doença profunda que acomete intestino, bexiga, ureteres ou ovários. Dependendo da extensão e localização das lesões, pode ser necessária uma equipe multidisciplinar com profissionais de outras especialidades.

Além disso, a decisão cirúrgica deve considerar cuidadosamente os possíveis benefícios e riscos. A retirada de lesões pode ser importante em determinadas situações, mas a cirurgia não representa necessariamente uma cura definitiva, já que a doença pode persistir ou apresentar recorrência ao longo do tempo.

No nosso site, você encontra mais informações sobre como são indicados e realizados os procedimentos de cirurgia ginecológica.

Dra. Veruska Barijan: cuidado individualizado da endometriose

A Dra. Veruska Barijan é médica com 20 anos de experiência, formada e com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Ultrassonografia pela UNICAMP. Possui especialização em Ginecologia Endócrina pela UNICAMP e pós-graduação em Reprodução Humana pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva.

Também realizou aprimoramento em Disfunções Sexuais Femininas pela UNIFESP e capacitação em ginecologia regenerativa e funcional.

Sua atuação une conhecimento científico, tecnologia e uma abordagem humanizada, com uma avaliação que considera não apenas os exames, mas também os sintomas, a rotina, os planos reprodutivos e a qualidade de vida da paciente.

Se você apresenta cólicas intensas, dor pélvica, dor durante a relação, alterações intestinais ou urinárias relacionadas à menstruação ou dificuldade para engravidar, agende uma consulta com a Dra. Veruska Barijan. 

A avaliação especializada pode ajudar a investigar a origem dos sintomas, esclarecer o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado para o seu momento de vida.

FAQ – Endometriose

Quais são os sintomas da endometriose?

Os sintomas mais comuns incluem cólica menstrual intensa, dor pélvica, dor durante ou após a relação sexual, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação e dificuldade para engravidar.

Endometriose causa apenas cólica menstrual?

Não. A endometriose pode causar dor pélvica, dor na relação sexual, dor para evacuar ou urinar, alterações intestinais, dor lombar, cansaço e infertilidade.

Dor durante a relação pode ser endometriose?

Sim. A endometriose pode causar dor profunda durante a penetração, principalmente quando existem lesões em determinadas regiões da pelve. Entretanto, outras causas também precisam ser investigadas.

Endometriose pode causar infertilidade?

Sim. A doença pode estar associada à dificuldade para engravidar, mas muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar espontaneamente ou com tratamento.

Como diagnosticar endometriose?

O diagnóstico envolve avaliação dos sintomas e exame ginecológico e pode incluir ultrassonografia transvaginal especializada e/ou ressonância magnética. A investigação deve ser individualizada.

Endometriose tem cura?

A endometriose é uma doença crônica, mas seus sintomas podem ser controlados. O tratamento busca reduzir a dor, preservar a fertilidade quando necessário e melhorar a qualidade de vida.

Toda mulher com cólica forte tem endometriose?

Não. Existem outras causas de cólica intensa. Porém, dor menstrual forte, progressiva ou incapacitante deve ser investigada por um ginecologista.

Qual médico trata a endometriose?


A ginecologista pode realizar a investigação inicial e definir o tratamento. Casos mais complexos podem exigir uma equipe multidisciplinar e profissionais com experiência em endometriose profunda e cirurgia ginecológica.